Dados divulgados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estimam que a safra 2024/25 deverá atingir o recorde de 345,2 milhões de toneladas de grãos produzidos, um salto de 47,7 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior.
Ao observar os números da Conab, dois pontos se destacam. O primeiro é a produtividade média, que avançou de 3.722 kg por hectare na safra passada para 4.214 kg/ha neste ciclo.
O segundo é a ampliação da área cultivada, especialmente em culturas como soja, arroz e algodão. Esses fatores explicam boa parte do crescimento projetado.
Se a soja reforça a liderança brasileira frente à demanda chinesa, o milho já garante competitividade contra os EUA em importantes mercados da Ásia e do Oriente Médio.
No caso do algodão, o Brasil já figura como segundo maior exportador, consolidando-se na indústria têxtil global. Até o arroz e o trigo, de perfil mais doméstico, ganham importância na agenda de segurança alimentar.
Safra 2024/25 marcada pela eficiência
A soja segue como protagonista absoluta. A expectativa é que a produção alcance 169,7 milhões de toneladas, alta de quase 15% em relação ao ano anterior.
A cultura não só se beneficia de uma área maior, mas também de ganhos expressivos de produtividade, consolidando o Brasil como maior produtor e exportador mundial.
O milho aparece logo atrás, com previsão de 137 milhões de toneladas, um crescimento de 5,1%.
A safrinha já está 83,7% concluída e será responsável por garantir o equilíbrio entre consumo interno (estimado em 90 milhões de toneladas, puxado principalmente pela ração animal e produção de etanol de milho) e exportações, que podem chegar a 40 milhões.
No caso do arroz, a projeção é de 12,3 milhões de toneladas, apoiada na expansão de área plantada. O aumento de quase 9% ajuda a estabilizar preços internos e reduz riscos de pressão inflacionária em alimentos básicos.
O algodão também merece destaque, com 3,9 milhões de toneladas previstas e um salto de 12% em relação ao ciclo anterior, resultado de ganhos de produtividade que reforçam o protagonismo do Brasil como segundo maior exportador mundial de pluma.
O feijão, por outro lado, deve recuar 3,5% devido a intempéries climáticas em algumas regiões, o que pode impactar o preço ao consumidor.
Dentre as culturas de inverno, destaque para o trigo. Mesmo com uma previsão de queda de 16,7% na área semeada, estimada em 2,55 milhões de hectares, a Conab espera uma produção próxima à estabilidade, podendo chegar a 7,81 milhões de toneladas.
As condições climáticas, até agora, são melhores que a ocorrida na safra anterior, o que justifica a um volume colhido semelhante ao registrado em 2024.
Expansão da área cultivada e recuperação da produtividade justificam resultados da safra 2024/25
A estimativa atual aponta para 81,9 milhões de hectares cultivados na safra 2024/25, representando um avanço de 2,5% em relação ao ciclo anterior.
Esse crescimento se distribui de forma desigual entre as culturas, mas tem como principais protagonistas a soja e o algodão. A decisão de ampliar fronteiras produtivas é estratégica: diluir custos fixos por hectare e reforçar a escala.
Mais relevante do que a expansão territorial foi a recuperação da produtividade média nacional, que passou de 3.722 kg/ha em 2023/24 para 4.214 kg/ha em 2024/25.
Trata-se de um incremento de quase 13,2% em apenas um ciclo — um dos mais expressivos da última década.
Esse avanço pode ser atribuído a três vetores técnicos principais:
- Uso intensivo de biotecnologia e genética avançada, com sementes mais resistentes e adaptadas a diferentes condições climáticas.
- Otimização do manejo agrícola, com agricultura de precisão, maior uso de sensores, drones e softwares que calibram a aplicação de defensivos e fertilizantes.
- Condições climáticas mais estáveis em comparação ao ciclo anterior, reduzindo perdas por excesso de chuvas ou estiagens severas em regiões-chave.
Se a área responde pela escala, a produtividade responde pela eficiência.
Esse ganho técnico é fundamental porque responde a uma crítica recorrente sobre o setor: a de que o crescimento brasileiro se basearia exclusivamente na abertura de novas fronteiras agrícolas.
Os dados atuais mostram o contrário: o país está aprendendo a produzir mais dentro das mesmas áreas, extraindo eficiência de cada hectare.
A médio prazo, essa lógica de ganhos de produtividade é a única que garante competitividade global sem gerar tensões ambientais internas ou críticas internacionais ligadas ao desmatamento.
Número superlativo, responsabilidade superlativa
Embora seja um recorde de produção, você precisa ter um mecanismo que o distribua de maneira efetiva.
Hoje, o custo de produção segue pressionado pelo contexto internacional e o crédito rural. Isso porque, é impactado por juros altos, limita o acesso de pequenos e médios produtores a tecnologias de ponta.
Fertilizantes, defensivos e sementes de alto desempenho permanecem em patamares elevados, fortemente influenciados por dinâmicas externas (como a guerra no Leste Europeu, que afeta o mercado de fertilizantes, e o preço do petróleo, que impacta custos logísticos e de defensivos).
Escoar volumes tão elevados exige eficiência em corredores de exportação e portos, muitos dos quais já operam no limite. Produzir 345 milhões de toneladas de grãos é apenas a primeira parte da equação.
A outra, igualmente desafiadora, é escoar essa produção para consumo interno e exportação.
Apenas a soja e o milho somam, juntos, mais de 300 milhões de toneladas em produção projetada. A soja deve manter o fluxo massivo de embarques para a Ásia, principalmente para a China, enquanto o milho tem previsão de exportar 40 milhões de toneladas.
Esse volume pressiona portos, rodovias, ferrovias e hidrovias, que, embora tenham recebido investimentos, ainda enfrentam gargalos estruturais.
Além disso, tem o consumo interno, que cresce em ritmo acelerado. O milho é o melhor exemplo: dos 137 milhões de toneladas previstos, cerca de 90 milhões serão absorvidos pelo mercado doméstico.
Isso porque, em grande parte destinados à ração animal, sustentando a cadeia de proteínas (aves, suínos e bovinos).
Outro fator de pressão é a expansão do etanol de milho. O arroz e o trigo estão ligados à estabilidade inflacionária dos alimentos básicos.
O crescimento de quase 9% da produção de arroz garante respiro na formação de preços internos, enquanto o trigo, mesmo com queda na área semeada, se mantém em patamares próximos da estabilidade produtiva, o que reduz riscos de choques inflacionários.
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