O canibalismo entre segmentos ocorre quando diferentes produtos ou serviços de uma mesma empresa competem entre si, gerando confusão no mercado e enfraquecendo o posicionamento da marca.
No agronegócio, essa situação é particularmente desafiadora, pois o setor envolve uma ampla gama de soluções que atendem a diferentes estágios da produção agrícola – desde sementes e defensivos até biotecnologia e plataformas digitais.
Essa sobreposição pode acontecer por diversos fatores:
Portfólio amplo e inovação constante: empresas do agro lançam novos produtos frequentemente, com funções similares ou complementares. Se a diferenciação entre eles não for clara, produtores podem optar por um em detrimento do outro dentro do próprio catálogo da empresa.
Perfis variados de clientes: o agro atende desde pequenos produtores até grandes grupos agrícolas, e a mesma solução pode ser percebida de formas diferentes. Uma comunicação mal segmentada pode gerar confusão sobre qual produto melhor se encaixa para cada perfil.
Expansão digital: com o avanço de plataformas digitais e serviços de agricultura de precisão, novas soluções tecnológicas muitas vezes competem diretamente com produtos tradicionais, reduzindo sua atratividade.

Por que evitar o canibalismo entre segmentos no agro?
O impacto dessa sobreposição faz grande diferença. Um estudo da McKinsey & Company aponta que empresas que estruturam bem seu portfólio e evitam concorrência interna conseguem aumentar sua receita em até 15% ao ano, enquanto aquelas que falham nessa estratégia perdem até 10% de participação de mercado devido à confusão do consumidor.
Além disso, o agronegócio brasileiro é altamente competitivo:
- O Brasil é o 4º maior mercado de agroquímicos do mundo, movimentando cerca de R$ 100 bilhões ao ano (Sindiveg, 2023).
- O setor de biotecnologia e sementes cresce 6% ao ano, com a adoção crescente de culturas geneticamente modificadas.
- O mercado de agricultura digital deve movimentar mais de US$ 25 bilhões até 2030 (AgFunder, 2023).
Com essa diversidade de produtos e mercados em crescimento, a falta de clareza na comunicação pode resultar em redução da fidelização do cliente, dispersão de investimentos em marketing e perda de oportunidades estratégicas.
Como a Bayer evita o canibalismo entre segmentos?
A Bayer é um bom exemplo de quem estruturou sua comunicação corporativa em quatro grandes áreas, garantindo que cada unidade de negócio tenha autonomia, mas dentro de um discurso unificado.
Com mais de 90% de sua operação no Brasil focada no agro, a empresa busca alinhar sua comunicação para reforçar a identidade da marca sem comprometer a performance individual de cada segmento.
O desafio é criar uma comunicação eficaz e segmentada, garantindo que o produtor rural, distribuidor ou stakeholder urbano receba a mensagem certa no momento certo.
Para isso, a empresa aposta em métricas qualitativas, priorizando a qualidade do impacto sobre a quantidade de exposição.
Em um mercado onde a digitalização avança rapidamente e a tomada de decisão é cada vez mais baseada em dados, o equilíbrio entre especialização e coesão da marca será determinante para consolidar a liderança e ampliar o reconhecimento de produtos sem concorrência interna.
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