A geração Z aparece no centro da nova campanha da Nescafé Indonesia com o grupo no na. Em vez de começar por um filme fechado, a marca convidou fãs a sugerir desafios de dança e usou parte dessas respostas para definir o conteúdo seguinte.
A campanha foi lançada em 18 de setembro de 2026 e integra a plataforma “Always Moving. Never Boring.”. A criação é da Leo Indonesia.
A ação começou com um convite para que o público dissesse ao no na o que deveria criar.
As sugestões deram origem à série “The Fans Challenge”, com desafios de dança adaptados ao universo da Nescafé. Depois, outros creators reinterpretaram os movimentos e adicionaram suas próprias versões.
A campanha também saiu das redes. Houve outdoors, telas digitais, mídia em ônibus BRT, trens KRL e outros espaços de circulação em Jacarta.
Por fim, a parceria gerou um videoclipe próprio com no na e Nescafé RTD.
Assim, a participação do público aconteceu antes da distribuição final. Fãs ajudaram a orientar uma parte do que seria produzido.
O que as fontes permitem afirmar sobre resultado
Campaign Brief Asia descreve a campanha como responsável por níveis recordes de audiência e interação. A matéria, porém, não publica números que permitam auditar essa afirmação.
Por isso, esses resultados não devem aparecer como métricas comprovadas.
Até que Nestlé ou Nescafé divulguem dados verificáveis, a leitura mais segura está na mecânica criativa e na distribuição.
Essa cautela vale para qualquer projeto voltado à geração Z. Comentários, vídeos e participação visível indicam atividade, mas não substituem dados de alcance, consideração ou venda.
O insight está no momento da co-criação
Muitas marcas chamam creators quando conceito, roteiro e mensagem já estão definidos. Nesse modelo, o creator funciona principalmente como canal.
A Nescafé escolheu abrir uma etapa antes.
O no na trouxe música, coreografia e identidade visual. A audiência ajudou a orientar desafios.
Com isso, a geração Z participa da produção e influencia parte do conteúdo que chega ao público.
A diferença é prática. Quando a comunidade interfere no material antes da publicação, a marca precisa aceitar respostas que não estavam completamente previstas no briefing.
Cultura local importa para marcas globais
No na reúne quatro jovens artistas indonésios e trabalha referências contemporâneas do país. A campanha usa essa identidade dentro de uma plataforma global da Nescafé.
Esse arranjo ajuda a explicar como uma multinacional pode falar com a geração Z sem copiar a mesma execução em todos os mercados.
A consistência fica na plataforma da marca. Música, linguagem visual, movimentos e participação assumem uma forma local.
Ao mesmo tempo, há direção. A campanha mantém Nescafé RTD e a assinatura “Always Moving. Never Boring.” ao longo das diferentes peças.
- Definir qual parte da ideia creators ou comunidade realmente poderão alterar.
- Escolher parceiros com repertório próprio antes da campanha.
- Criar formatos pensados para cada plataforma.
- Adaptar linguagem e referências ao mercado local.
- Medir participação separadamente de resultado comercial.
O que evitar
- Chamar uma votação decorativa de co-criação.
- Usar creators apenas para repetir um roteiro publicitário.
- Copiar gírias ou códigos jovens sem contexto cultural.
- Tratar visualização como prova de venda.
- Replicar a mesma execução global em mercados com repertórios diferentes.
Co-criação exige espaço dentro do briefing
A geração Z reúne comportamentos diversos, e a campanha da Nescafé deve ser lida como um case localizado na Indonésia.
Ela oferece, porém, um modelo operacional interessante.
A marca define limites, escolhe parceiros e abre parte da execução para respostas externas. Nesse tipo de projeto, briefing continua necessário. O que muda é o nível de controle sobre a forma final.
Por isso, campanhas com geração Z podem ganhar relevância quando o parceiro cultural participa da criação desde o início.
Perguntas frequentes sobre o case Nescafé
A Nescafé abandonou mídia tradicional?
Não. A campanha inclui mídia exterior e presença em diferentes pontos de circulação em Jacarta.
Existem números públicos de vendas?
Não encontramos resultados de vendas atribuídos à campanha nas fontes consultadas.
O que esse case mostra sobre geração Z?
Mostra uma forma de envolver artistas e público antes da peça final. A geração Z participa da construção de parte do conteúdo, enquanto a marca mantém produto e plataforma identificados.